Comandar equipe a distância requer boa comunicação e disciplina

Seja pela flexibilidade de horários ou pela necessidade de cortar gastos, o trabalho a distância ganha mais espaço nas empresas. Junto com a praticidade, porém, vêm também novos desafios para os gestores. Quem comanda uma equipe a distância não tem mais o olho no olho nem consegue ler a linguagem corporal dos funcionários. Manter uma comunicação bem definida se torna, então, fundamental.

"Funções e processos têm de estar muito claros para todos. Funcionários devem saber por que e quando serão cobrados", afirma José Roberto de Siqueira, professor do MBA em gestão de recursos humanos no Ibmec.


Para Leandro Pedrosa, gerente-executivo da consultoria de recrutamento executivo Michael Page, é necessário ter disciplina e não ceder às tentações de casa para conseguir trabalhar bem de maneira remota.

"Você tem de ter uma rotina: acordar na hora em que iria ao escritório, se vestir adequadamente, se sentar num lugar específico. É preciso sair da zona de conforto, mesmo em casa", diz Pedrosa.


O diretor comercial José Garcia da Costa Neto aponta exatamente sua disciplina como essencial para que ele consiga comandar de São Paulo uma equipe de dez pessoas que fica em Campinas. "Começo a jornada todos os dias no mesmo horário da equipe, às 8h, e vou no mínimo até acabar o expediente deles", afirma ele, que, tirando um pequeno período de interrupção, comanda times a distância desde 2010.

Neto, que vai à sede da empresa apenas às segundas e terças-feiras, diz que costuma brincar com os colegas dizendo que trabalha mais exatamente nos dias em que faz home office.

"No fim do dia, o importante é o resultado. Em vendas, que é a minha área, existem ferramentas que permitem essa gestão remota", afirma.


Com a proliferação do trabalho a distância, surgem também novas tecnologias, para além do Skype, que buscam facilitar contato entre chefes e subordinados. "Todas as informações do trabalho devem estar disponíveis. Não posso parar porque, de casa, não consigo acessar uma apresentação", afirma Hélio Sá, diretor-executivo da Inpartec. A empresa oferece consultoria e soluções para otimização do trabalho, como uma espécie de WhatsApp corporativo e uma ferramenta que dá ao funcionário acesso à intranet da empresa de sua casa, as duas desenvolvidas pela Microsoft.

Sá lembra que o sucesso dessas tecnologias, seja no trabalho remoto ou no presencial, entretanto, passa também por uma mudança na cultura das corporações. "A tecnologia é um meio, não um fim. Não adianta nada ter a tecnologia mais eficiente se a pessoa não se comunicar de forma clara para passar o que espera do trabalho do outro. Não vai dar certo", afirma.

Para Leandro Pedrosa, a tendência é que, com o tempo, isso fique mais fácil. "As pessoas estão cada vez mais disciplinadas e educadas para lidar com novas tecnologias no trabalho", diz.

Fonte: Folha de S. Paulo