China | Inovação, digitalização e empreendedorismo

Empreender na China não é fácil e muito menos para qualquer um. Quando o assunto é China, não adianta tentar produzir padrões, buscando modelos e fórmulas repetidas de sucesso. Tudo aqui tem que ser feito sob medida e sob inúmeras considerações, algumas vezes incluindo a própria redefinição do produto e/ou serviço. O guideline para o sucesso funciona de modo diverso do restante do mundo e ainda assim não há garantias de retorno.

Apesar disto, o país de números grandiosos e expressivos (one in three of the world’s 262 unicorns is Chinese) se mostra cada vez mais solicito a receber empreendedores do mundo afora. Neste contexto, um conjunto de medidas tem ajudado a contribuir para um ambiente mais receptivo aos empreendimentos tecnológicos. 

Consideremos, por exemplo, os dados referentes ao número de recém-formados que anualmente recebem seus diplomas na China. Segundo o World Economic Forum, a China possui o maior número de graduados nas áreas de STEM (Science, Technology, Engineering, Math) do mundo e perde apenas para a Índia no número de recém-graduados globais.

Além disso, os dados referentes ao desenvolvimento de novos produtos tecnológicos, que gradualmente tem deixado de lado a indústria tão conhecida do “copy and paste, e a rápida adoção de novas tecnologias pelo consumidor chinês, que atualmente representa em comparação com United States um valor de 10:1 - vide leading case: WeChat payment, demonstram sinais positivos econômicos para fomentar o incentivo de empreendedores que queiram se aventurar em terras asiáticas. 

Vale mencionar que outros dois pivôs neste cenário são (i) governo, que de alguns anos para cá entendeu que as próximas décadas serão ditadas pelas empresas de tech, e portanto, tomou para si o papel chave de incentivar projetos de tech especialmente nas áreas de AI (artificial intelligence) e blockchain; e a (ii) economia doméstica, que passa por uma transformação considerável de aumento de renda e sofisticação de consumo.

Claro que dentro do contexto desta oportunidade de negócio, todo e qualquer investimento a ser realizado na China por investidor estrangeiro deve estar alinhado com as bases e políticas de governo, inclusive para a adesão a subsídios e incentivos fiscais.

Enfim, tudo isso para dizer que dentro de um cenário com muitas considerações há oportunidades imensas - que com as devidas ponderações de cada um dos submercados - podem ser exploradas, especialmente dentro de mercados ineficientes cujos avanços tecnológicos ainda não preponderam. Assim, aqueles que souberem cruzar esta fronteira poderão ter uma vantagem e estar a um passo de se tornarem um unicórnio chinês. 

 

Escrito por Rodolfo Barrueco, Global MBA 2019.