A noiva vai casar, mas quer o Congresso

Terminou a fase de flertes e indecisão. Logo após as declarações de Ciro Gomes sobre uma carta enviada a Embraer e Boeing para cancelar o acordo sobre a intenção de retomar os campos de petróleo leiloados e as críticas ofensivas ao promotor que o processou por injúria racial, o Centro escolheu seu parceiro - anunciou sua aliança com o tucano Geraldo Alckmin.

Essa aliança fortalece o par e o noivo sorri. O casamento renderá aos noivos e padrinhos 5 minutos e 57 segundos de TV e 852,8 milhões do fundo partidário. Bem mais recursos que os 1 minuto e 35 segundos (que podem chegar a 2 minutos com o PCdo B) e 212,2 milhões do PT e os 1 minutos e 30 segundos e 61,5 milhões do PDT, que seguem logo atrás.

O PSDB já anunciou que o vice da chapa será quem o Centro indicar. Mas o desejo do Centro não é o Jaburu. Ele quer mesmo é ter o controle das pautas da Câmara e do Senado e se conservar no protagonismo construído pelo parlamentarismo branco dos últimos anos.

Dessa forma, com um Centro dominante num parlamentarismo branco, o locus decisório se fortalecerá no Congresso Nacional, ambiente mais receptivo para demandas setoriais e sociais.

Então as reformas já prometidas pelo candidato, num possível governo, terão que ser muito conversadas e negociadas com os partidos de centro. Muitas concessões terão que ser feitas e as propostas não poderão desagradar muita gente, sob pena de terem o mesmo fim da tímida reforma da Previdência.

E o que muda nas relações governamentais? Nesse ambiente, grupos sociais que tiverem voz e corpo bem definidos no parlamento terão mais força na discussão de políticas públicas. Com mais chances de êxito na formação e debates das agendas, esse formato privilegiará grupos que estiverem bem representados nas bancadas.

Se o casamento prosperar, quem vai mandar na casa será a noiva - um clássico brasileiro.

 

Eduardo Galvão é professor dos MBAs em Relações Institucionais e em Políticas Públicas do Ibmec.