Ineficiência em inovação no Brasil

O Global Innovation Index é uma pesquisa internacional que procura reunir diferentes indicadores sobre inovação para conferir uma nota para 126 países pesquisados. Ela contempla indicadores sobre as condições que favorecem à inovação e sobre os resultados econômicos e tecnológicos em inovação dos países. Os dados disponíveis para o Brasil abrangem o período entre 2013 a 2018. Nesse sentido, o que o índice revela sobre a situação do Brasil?

Atualmente, o Brasil está na 64ª posição na nota global do índice de inovação. Sobre as condições que favorecem a inovação está na 58ª e nos resultados de inovação está na 70ª. Portanto, o Brasil está em uma situação que não é tão ruim, mas nem tão boa em relação aos outros 126 países.

A pesquisa ainda produz um indicador chamado Índice de Eficiência em Inovação. Nesse indicador o Brasil aparece na sua pior colocação: 85ª. Por que nossa ineficiência é baixa? Por que os resultados de inovação estão aquém das condições? Essa situação de ineficiência também é constatada nos dados de 2013 e é interessante notar que, entre 2013 e 2018, o país melhorou sua posição no mundo (da 93ª para 83ª), porém as notas obtidas em alguns aspectos pioraram. Portanto, se queremos saber as razões para nossa ineficiência é preciso analisar o que piorou em nossas condições que produziram piores resultados em inovação.

O Global Innovation Index confere uma nota de zero a cem para as diferentes dimensões entorno das condições e dos resultados em inovação. As dimensões das condições para inovação são: qualidade das instituições, capital humano e pesquisa, infraestrutura, sofisticação do mercado e sofisticação empresarial. Em quais dessas dimensões a nota do Brasil piorou? Em capital humano e pesquisa (de 27,11 para 21,30) e em sofisticação empresarial (de 38,03 para 24,36). Ou seja, a piora foi observada em indicadores ligados aos agentes da inovação e não às circunstâncias que favorecem a inovação. E cabe destacar que as duas dimensões se relacionam entre si, pois qualidade baixa de recursos humanos e pesquisa faz com que as empresas não obtenham resultados eficientes em inovação.

A dimensão capital humano e pesquisa reúne indicadores que medem a qualidade e o investimento em educação do fundamental ao superior e indicadores sobre o número de pessoas e o investimento em P&D. Sofisticação empresarial consiste em indicadores relacionados ao número de profissionais do conhecimento empregados, formação de vínculos para inovação e a absorção de conhecimentos pela iniciativa privada. Assim podemos concluir que o problema de ineficiência em inovação no Brasil está relacionado ao sistema educacional e à estrutura de incentivos para as empresas investirem em inovação.

Sendo boa parte dos investimentos em inovação advêm do dinheiro público, neste ano eleitoral é preciso indagar os candidatos sobre o que pretendem fazer para melhorar a educação e se vão ouvir os empresários sobre as dificuldades em investir e realizar atividades em inovação. O que os dados da pesquisa nos mostram é que não é correto pensar a inovação como algo isolado, como uma política setorial de responsabilidade apenas de um ministério; é preciso pensar a inovação junto com a educação e ao ambiente de negócios do país. Sem isso, aumentar o investimento inovação é tornar mais caro para a sociedade um sistema ineficiente.

 

Por Grupo Laboratório de Análise de Ambiente de Negócios, coordenado pelo Prof. Dr. Lucas Azambuja (sociólogo e professor do IBMEC-BH) e vinculado ao CEI-BH.