Supervisora de Carreiras Ibmec debate as consequências dos jogos virtuais de automutilação

No último dia 15 de maio, a supervisora de Carreiras do Ibmec/MG, Cynara Bastos, ministrou palestra para pais e educadores do Colégio Sagrado Coração de Maria, em Belo Horizonte. Na ocasião, a especialista falou sobre o jogo da Baleia Azul e outros desafios que vêm sendo motivo de preocupação na criação dos jovens. A palestra foi promovida pela área de High School Relationship do Ibmec. Para conhecer um pouco mais sobre o assunto, confira o artigo escrito por Cynara Bastos:

O chamado “Desafio da Baleia Azul” vem tirando o sono de muitos pais e educadores. Ainda não se sabe ao certo como e onde surgiu e nem como se pode ter acesso ao “jogo”. Algumas fontes indicam que o Baleia Azul surgiu na Rússia, onde foi registrada a primeira morte ligada ao desafio. Pelo que foi divulgado na mídia, as pessoas que entram são “selecionadas” a partir de sua participação em grupos e/ou redes voltadas para o tema de suicídio.

Hoje, a preocupação é com esse jogo, mas há pouco tempo a inquietação girava em torno do “jogo da asfixia”. Não demorará para que outra “brincadeira” surja. O fato é que precisamos estabelecer relações mais próximas e respeitosas com os jovens, baseadas na compreensão. Precisamos superar essa ideia de que “adolescente é assim mesmo”, “essa fase vai passar”, justificando comportamentos rebeldes e outros indesejáveis – como a reclusão. A adolescência é uma fase em que se vive muitos desafios, muitas mudanças físicas, novas experiências e muita experimentação, dúvidas, descobertas e etc. Embora, nesse período, os jovens não queiram os pais por perto o tempo todo, eles precisam do seu apoio, de se sentir amados e protegidos.

E, infelizmente, o que tem acontecido é exatamente o contrário, pois os pais estão cada vez mais distantes dos filhos. Vivemos, hoje, um distanciamento emocional muito grande. Não estamos preparados para falar sobre a dor, sobre questões existenciais mais complexas como a própria morte – sobre a depressão, por exemplo, uma doença grave que precisa ser tratada.

São alarmantes os números relacionados à tentativa de autoextermínio entre os jovens. Precisamos falar sobre isso. A solução para problemas difíceis como esse passa pelo diálogo, pela escuta e interesse genuíno por colaborar propondo discussões acerca do tema dentro das escolas, das faculdades, nos grupos de amigos e nas famílias.       

Vivemos em uma era em que temos cada vez mais recursos para nos conectarmos uns aos outros, mas curiosamente temos vivido mais desconectados. Precisamos nos dispor e nos preparar para a verdadeira conexão com o outro. Precisamos encontrar amparo e também oferecer amparo. Os filhos não querem superpais e supermães, eles querem pessoas que se importem, que também falem sobre os seus medos e dificuldades. O que todos precisam, na verdade, é de um pouco mais de presença e de humanidade, o que representa agir pautando-se em valores como a bondade, a benevolência a compaixão e a empatia genuínas.

Cynara Bastos
Supervisora de Carreiras Ibmec/MG