Entenda como programar o futuro financeiro dos seus filhos

Em busca de segurança financeira, muitos pais estão investindo dinheiro em nome dos filhos, até mesmo de recém-nascidos. Os recursos podem ser usados no futuro com diversas finalidades, como pagar a faculdade, estudar no exterior, abrir um negócio ou dar entrada em um imóvel. As operações são simples e vantajosas, mas exigem planejamento.

Segundo o professor, mestre em economia e coordenador do curso de Finanças do Ibmec do Distrito Federal, William Baghdassarian, o primeiro passo para começar a investir é definir o objetivo da aplicação e, então, verificar quais são as opções mais adequadas.

“Se você tem uma filha de 13 anos, que vai fazer uma festa de 15 anos, o horizonte dessa aplicação é de apenas dois anos. Você vai precisar de um recurso que vai ter que contar com ele. Você vai ter que fazer um investimento de baixo risco, que cresça sempre, mas que varie pouco de valor”, exemplificou o professor.

Por outro lado, em caso de investimento feito em nome de um bebê que será resgatado quando ele completar 18 anos, a lógica é diferente. “Você tem bastante tempo para fazer esse investimento e, portanto, você pode correr risco. O risco de um momento vai ser mitigado exatamente por esse tempo que você vai poder usufruir de taxas de juros mais altas que normalmente têm um pouco mais de risco”, analisou.

Para o coordenador do MBA de Gestão Financeira da FGV, Ricardo Teixeira, os aportes devem ter uma frequência estabelecida. “Tem que ter uma periodicidade para que se possa fazer um bom planejamento. É importante saber quanto se dispõe no momento e de quanto vai dispor ao longo do tempo”, disse.

Outro fator a ser analisado é o de risco de cada operação. “Enquanto for pouco dinheiro, o pai pode querer correr um risco maior. Na medida em que o volume de dinheiro for aumentando, ele provavelmente vai querer criar certa segurança para se alguma coisa der errado ter um capital protegido”, argumentou Teixeira.

Aos pais inexperientes no mundo dos investimentos, o coordenador da FGV sugere aplicações mais conservadoras como a caderneta de poupança e o tesouro direto, que são títulos públicos. A caderneta de poupança está isenta de incidência de impostos. “No tesouro direto ou no caso de fundos de uma maneira geral, a incidência dos impostos é somente na fonte, somente sobre seus rendimentos”, informou.

Como explicou Teixeira, no caso de fundos de investimento, a tributação de Imposto de Renda é de 22,5% nos primeiros 180 dias; de 181 dias até 360 dias é de 20%; de 361 dias até 720 dias é de 17,5%; e acima de 721 dias é de 15%. Após esse período, a taxa de 15% é fixa. Por esse motivo, investimentos com duração longa têm maiores ganhos.

“De forma geral, a principal implicação do resgate prematuro é o Imposto de Renda cair em uma faixa maior”, frisou William Baghdassarian.

Independentemente da situação, os especialistas afirmam que é fundamental procurar um consultor financeiro, com o gerente do banco, para bater o martelo na escolha, já que cada modalidade implica em impostos específicos.

Em maio do ano passado, o engenheiro eletricista Marcos André Duque investiu no tesouro direto em nome de sua filha, que hoje tem três anos.  “A nossa ideia é fazer com que ela consiga ter tudo que ela precisa com o próprio mérito, talvez passando em uma faculdade pública, e usar esse recurso para o que ela quiser, se isso acontecer. Porém, se for necessário para pagar o curso, se for necessário para pagar um veículo que ela precisa para poder se deslocar, esse recurso vai estar disponível”, contou.

Para realizar investimentos, é preciso do CPF da criança. Outra opção é realizar a operação em nome dos pais.


Educação financeira

Os especialistas recomendam a educação financeira ainda na infância, mas a abordagem dos pais precisa estar adequada à idade. “É sempre importante ensinar para a criança o que é realmente necessário, quais são as necessidades básicas de sobrevivência e não simplesmente um consumismo desnecessário”, salientou o professor do departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Universidade Federal de Brasília (UNB), Jomar Rodrigues.

Duque procura tratar de dinheiro com a filha de uma forma lúdica e baseada em exemplos. “Há muito tempo, quando íamos a alguma loja, ela falava para eu comprar algum item. Eu explicava que eu não tinha dinheiro naquele momento. Hoje, ela pergunta diferente, fala para comprar quando eu puder, o que faz toda a diferença”, contou.

A influenciadora digital, dona do canal no Youtube Look Bebê e mãe de três filhas, Ana Lu Masi, escolheu como método financeiro educativo a mesada, o que de acordo com ela dá “uma percepção mais real do dinheiro”.

Para facilitar o entendimento das filhas, Ana faz comparações dos desejos de compra com o dinheiro ofertado. “A gente quase pediu comida e decidiu não pedir e comer o que tinha em casa. Uma das minhas filhas começou a ficar brava porque criou expectativa em cima daquela comida que ela queria. Eu falei que a comida custaria 250 reais, que é quase o que ela tinha economizado da mesada até hoje”, afirmou.

A youtuber contou que uma das crianças, ao ver outra economizando, decidiu seguir o exemplo. Como resultado, ela passou a poupar para comprar no futuro o que realmente desperta seu interesse, como um par de patins. “Ela começou a pensar a longo prazo e não ficar gastando com besteirinha”, encerrou.

 

Fonte: Caixa Econômica

 

 

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