Startup mineira ganha prêmio por inovação no combate ao Aedes Aegypti

Com o início das chuvas, detectar com exatidão os locais propícios à criação de focos do Aedes aegypti é essencial para o direcionamento de ações de varredura e eliminação de criadouros. E o combate ao mosquito transmissor da dengue, da febre amarela, da zika e da chikungunya fica mais ágil e eficiente por meio da tecnologia. Uma startup mineira vem realizando um trabalho que se propõe a monitorar a população do mosquito por meio de visão computacional e, assim, ajudar no combate. O trabalho realizado pela Communitor é tão efetivo que, recentemente, a startup foi vencedora do programa Social Good Brasil Lab 2016 (SGB Lab), em Florianópolis.

O aumento dos casos de dengue, zika e chikungunya no país fez com que o Brasil inteiro virasse os olhos ao mosquito Aedes aegypti. Juntando-se à comoção do país inteiro para eliminar os focos do mosquito, o grupo de empreendedores que integra a Communitor decidiu fazer muito mais do que colocar areia nos recipientes que podem acumular água. Um dos integrantes do projeto é o professor do Ibmec/MG, Roberto Novaes. Ele explica que a técnica é importante, porque, quando não se sabe qual é a população do mosquito e onde exatamente ele está, fica mais difícil combatê-lo de forma eficaz.

A startup realiza o monitoramento do mosquito por meio do georreferenciamento de armadilhas nas quais os parasitas depositam suas larvas. A contagem dos ovos é feita, de forma rápida e assertiva, por meio das amostras colhidas nas armadilhas e com o uso de visão computacional. Como cada amostra pode conter centenas de ovos, e eles são menores do que 1 mm, o trabalho de contagem, se feito manualmente, é extremamente demorado e impreciso. O processo desenvolvido pela Communitor supera esse gargalo realizando a contagem por computador. As paletas de madeira foram desenvolvidas pelo professor de Desenho Técnico do Ibmec/MG, Carlos Miranda, que fazem parte das armadilhas. Quando recolhidas, é feita a contagem dos ovos. “Os dados são colocados num mapa de calor, no qual é possível ter o nível de infestação em cada local. Assim, a ação de combate é mais focada naquele lugar.  Desta forma, é possível saber se as ações de combate estão sendo eficazes, além de tudo”, conta Roberto Novaes.

Desde janeiro deste ano, a Communitor realiza o monitoramento em comunidades (Aglomerado da Serra/BH), empresas privadas (Aeroporto da Pampulha/BH) e em diversas cidades mineiras, em parceria com prefeituras como Mariana, Betim e Sabará. O reconhecimento do Social Good Brasil Lab, instituição que apoia empreendimentos sociais por meio de metodologias de design thinking, lean startup e mentorias, veio em novembro. Na última edição do programa, foram 386 equipes inscritas de 13 estados do Brasil e 50 selecionadas para a primeira fase. A Communitor passou por dois crivos avaliativos e conquistou o primeiro lugar nacional.

O Social Good Brasil é uma organização com sede em Florianópolis (SC), que inspira, conecta e apoia indivíduos e organizações que contribuem para a solução de problemas da sociedade com o uso da tecnologia.  Ela é apoiada por parceiros tais como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), das Nações Unidas, a United Nations Foundation, a Fundação Telefônica,  Instituto C&A, Engie Energia, Instituto Sabin in Natura e a Ericsson. Para conhecer mais sobre a Communitor, basta acessar o site www.communitor.com.br.